quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DIALÉTICA DE BOTEQUIM

DIALÉTICA DE BOTEQUIM
Por Johnny Marcus

A princípio pensei que fosse um artigo de Augusto Nunes, Arnaldo Jabor, Reinaldo Azevedo, Merval Pereira ou de alguém de pensamento parecido. Custei a crer que se tratava de um dos editoriais publicados na edição de hoje (07/10) do jornal “O Estado de S. Paulo”. A chamada na página inicial do site do diário dizia: "Em jogo o projeto lulopetista - Chefão interrompeu hesitações de sua pupila incompetente e forçou-a a renunciar de fato ao poder". Só quando cliquei no link é que pude constatar o descalabro.



Na faculdade de jornalismo aprendemos que editorial é a opinião do veículo de comunicação. Por conta disso não tem a obrigação de ser neutro. Ou seja, não respeita o princípio da imparcialidade - que supostamente rege a reportagem. Em geral, editoriais primam por uma linguagem, embora objetiva, refinada; com analogias, citações filosóficas e literárias. O editorial do Estadão passa longe disso. A começar pelos pejorativos “lulopetista” e “chefão”.  

Acho que não há exagero de minha parte ao estabelecer uma relação direta entre esse tom recorrente da grande imprensa com os constantes atos de hostilidade contra o ex-presidente Lula, ao PT e à presidenta Dilma. Nesse ponto, a imprensa abdica de seu papel de fiscalizar o poder público e informar à sociedade para ser incitadora da intolerância. A dialética utilizada pelo Estadão se assemelha às conversas de botequim regadas à cerveja e cachaça. E quem sofre com isso é a democracia. A liberdade de expressão, em nenhum momento, quer dizer liberdade de ofensa, por nenhum lado. Tampouco concordo com o humor rasteiro e chulo que alguns blogueiros ditos de esquerda utilizam em seus textos para criticar políticos e partidos de oposição.

Enquanto que a totalidade da imprensa brasileira trata chefes de Estado pelo primeiro nome, nos Estados Unidos e Europa eles são chamados de “senhor” e “senhora” no corpo do texto. O New York Times, por exemplo, referia-se a Saddam Hussein como “Mr. Hussein”.

Ainda que o Estadão tenha o direito constitucional de expressar sua opinião, o tom raivoso do editorial de hoje é um sinal inequívoco da cruzada que busca, a todo custo, tirar a legitimidade dos votos da presidenta Dilma Rousseff e inviabilizar a volta do ex-presidente Lula ao Planalto em 2018.


Leia o editorial de hoje do Estadão neste link:

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,em-jogo-o-projeto-lulopetista,10000000240